42% da água de Fortaleza é perdida na distribuição

Dados do Instituto Brasil trazem também dados de Caucaia, onde as perdas chegam a 48%. Desperdício está acima da média nacional, de 38%

Fortaleza perde 42,62% de sua água ainda durante o processo de distribuição (IPD), segundo dados do Instituto Trata Brasil apresentados no relatório Perdas de água 2018, elaborado e parceria com a empresa de consultoria Go Associados. Os dados foram divulgados este mês e trazem números referentes a 2016. Há perda também no faturamento (IPTF), ou seja, prejuízo financeiro com água que é disponibilizada, mas não gera dinheiro. Na Capital, o prejuízo é de 26,69%.

Outro município cearense na lista é Caucaia, onde o IPD e o IPTF são, respectivamente, 48,69% e 31,42%. Os índices de municípios apontados como exemplos são menores que 20% em ambas a taxas, como ocorre em Limeira, cidade paulista onde o IPTF é 10,89% e o IPD, 15,57%.

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) atua nas duas cidades cearenses listadas e informou ao O POVO Online que adota medidas na busca da diminuição do desperdício de água. Entre elas, o incremento de número de equipes de busca e retirada de vazamento, além do combate às fraudes. Segundo a companhia, as medidas já resultaram em economia de 653 litros de água por segundo.
Formas de desperdício
O relatório leva em consideração dois tipos de perdas – real e aparente. Perda real equivale ao volume de água perdido durante as diferentes etapas do processo (captação na natureza, tratamento, armazenamento e distribuição antes de chegar ao consumidor final) e pode acarretar aumento do custo de produção, uma vez que é necessária captação e produção superiores ao volume efetivamente demandado.
Já a perda aparente diz respeito à água consumida sem ser faturada, o que pode ocorrer devido a fraudes e ligações clandestinas, por exemplo. Ela reduz a capacidade financeira dos prestadores de abastecimento e pode diminuir os recursos disponíveis para melhorias nos serviços.
No País, a perda é de 38,05% de sua água. O relatório classifica a situação como “preocupante”, já que os 6,4 bilhões de metros cúbicos perdidos equivalem à capacidade de 6.991 piscinas olímpicas. A porcentagem referente a 2016 é maior do que as apresentados em 2015 (37,26%) e 2014 (38,08), mas menor do que o dado de 2013 (39,07%).